O levantamento mostrou que 50,1% das mulheres diagnosticadas com câncer de mama nos Estados Unidos encontravam-se no estágio inicial do doença, com tumores menores do que 2 centímetros e ainda não palpáveis. No Brasil, porém, os diagnósticos nesse estágio precoce ocorreram em apenas 10% dos casos. O médico esclarece que é muito importante que a doença seja descoberta exatamente nesse ponto, de forma precoce, uma vez que as chances de cura a partir de um tratamento nesse estágio chegam a 90%. A detecção do câncer de mama em estágios mais avançados foi observada, a partir do levantamento, em 45,8% das pacientes brasileiras e em somente 8,4% das norte-americanas. Nesse nível mais adiantado da doença, a taxa de sobrevida após 10 anos cai para apenas 17% dos casos. “No Brasil, demora-se mais para chegar ao médico e o tamanho do tumor é maior”, disse. No mundo, os países desenvolvidos como os Estados Unidos têm uma relação de 19 mortes por câncer de mama para cada 100 pacientes diagnosticadas com a doença. Na América do Sul, essa proporção sobe para 29,8 mortes. No continente africano, a situação é ainda pior pois para cada 100 mulheres com a doença, 60 morrem. No Brasil, ficou comprovado que a mulher com câncer de mama que for tratada sob condições ideais, como no Hospital do Câncer de Barretos, terá chances semelhantes às das norte-americanas. René Vieira citou como exemplo uma paciente que chega ao médico com tumor de mama de 2 centímetros. Estando no Brasil ou nos Estados Unidos, 10 anos depois, os resultados obtidos pela paciente serão os mesmos. “Se tratar aqui ou tratar nos Estados Unidos, teoricamente, a sobrevida é igual”. Com base nisso, o mastologista defende o incentivo ao diagnóstico precoce, que é alcançado principalmente com exames de mamografia. Segundo ele, o diagnóstico por exames clínicos, feitos depois de a mulher ter percebido o nódulo no seio por meio do autoexame, não são capazes de reduzir a mortalidade. “Quando [a paciente] chega com um caroço ao médico, o tumor já é grande. Não vai conseguir mudar muito a evolução da doença. Ele [o autoexame] é mais para mulher se conhecer”, disse. O ideal, portanto, é que haja incentivo à realização de exames de mamografia em larga escala, como forma de prevenção, ou seja, mesmo que a mulher não apresente qualquer sintoma da doença. “Da mesma forma que tem o papanicolau, a gente tem que estimular as mulheres, de maneria regular, uma ou duas vezes por ano, a fazer a mamografia”. Pelos padrões norte-americano e europeu, as mulheres entre 40 e 49 anos fazem o exame anualmente e, entre 50 e 69 anos, fazem a cada dois anos. A Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda uma regularidade ainda maior, mulheres entre 40 e 69 anos de idade devem submeter-se ao exame uma vez por ano. Assim, para que o diagnóstico precoce dos tumores de mama se torne uma realidade no país, o sistema de saúde precisaria investir nos mamógrafos. “Precisaria melhorar a rede de mamografia”, disse o médico.
domingo, 13 de janeiro de 2013
Falta de diagnóstico precoce faz Brasil superar EUA em mortes por câncer de mama
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